quarta-feira, 18 de setembro de 2013

parecenças

Milucha, nascida em 13 de Julho de 1954, foi fotografada aqui com 58 anos.


Brigitte Bardot, nascida em 28 de Setembro de 1934, contava aqui 28 anos.


Milucha com 58 anos.

BB com 29 anos.
Milucha com 59 anos.

BB  tinha aqui 37 anos.

Milucha tem aqui 59 anos.


Rosto










Rosto nu na luz directa.

Rosto suspenso, despido e permeável,
Osmose lenta.
Boca entreaberta como se bebesse,
Cabeça atenta.

Rosto desfeito,
Rosto sem recusa onde nada se defende,
Rosto que se dá na duvida do pedido,
Rosto que as vozes atravessam.

Rosto derivando lentamente,
Pressentindo que os laranjais segredam,
Rosto abandonado e transparente
Que as negras noites de amor em si recebem

Longos raios de frio correm sobre o mar
Em silêncio ergueram-se as paisagens
E eu toco a solidão como uma pedra.

Rosto perdido
Que amargos ventos de secura em si sepultam
E que as ondas do mar puríssimas lamentam.



Sofia de Mello B. Andresen

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Professorinha lixada contra a CORJA !!!



CORJA !!!!! QUADRILHA !!!! É só o que me ocorre com as acções tomadas constantemente contra os professores. Estou eu, aqui tomada em sossego na minha casinha, quando oiço e vejo a expressão desoladora de uma professora de meia-idade a ser entrevistada no telejornal de uma qualquer televisão portuguesa. Ela, a professora, julgava que ia terminar a sua carreira em glória, depois de tantos anos de dedicação, esforço e sacrifícios mesmo... Mas não, era tudo um engano, agora apenas tinha de pensar em sobreviver. Seguem-se outras entrevistas a professores na fila do desemprego, outros na fila dos esclarecimentos para as rescisões amigáveis ( Amigáveis???? o tanas !!!! ) e a quebra da força destes profissionais de anos longos dedicados ao ensino, que agora por doença. por cansaço, por depressão, se ajoelham perante o inimigo ! Isto revolta, dá mil voltas ao estômago, num nó cego, até este rebentar! Que Fazer ? Que Fazer ?
   Olhem-me, aí nas fotos , relaxada, aparentemente... Aposentei-me com uma enorme penalização, porque estou doente há muito... mas não estou tranquila, não.  Estou, vou estar sempre em pé de guerra, contra o que estão a fazer contra a Escola em Portugal. Serei sempre a professorinha  lixada !!!!  Raios, dei trinta e quatro anos da minha vida a ensinar... não me calo, não me calarei nunca... Cortaram-me a progressão na carreira, cortaram-me o direito à doença, cortaram-me nos salários e na reforma, cortaram-me os sonhos de uma reforma prometida na tranquilidade, se eu cumprisse todas as obrigações e deveres do meu contrato... Cumpri tudo! Roubaram-me o que está no contrato!!!!! 
   Milhares de professores não têm trabalho, não têm ... depois de mais de dez anos a ensinar, contratados... Dobram-se perante um poder que não compreendem, não aceitam, mas não têm forças para combater... Estão desgastados, o trabalho esgotante nas escolas acrescido da" marretada na cabeça" que o governo lhes deu agora, acabou-lhes com as poucas forças que ainda tinham. Precisam de sangue novo, sangue novo que o governo quer que emigre...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Milucha e a mãe Odete

A Minha DorA minha Dor é um convento ideal 
Cheio de claustros, sombras, arcarias, 
Aonde a pedra em convulsões sombrias 
Tem linhas dum requinte escultural. 

Os sinos têm dobres de agonias 
Ao gemer, comovidos, o seu mal ... 
E todos têm sons de funeral 
Ao bater horas, no correr dos dias ... 

A minha Dor é um convento. Há lírios 
Dum roxo macerado de martírios, 
Tão belos como nunca os viu alguém! 

Nesse triste convento aonde eu moro, 
Noites e dias rezo e grito e choro, 
E ninguém ouve ... ninguém vê ... ninguém ... 

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"


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