quinta-feira, 30 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia

Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'

Assim é a história, gira em circulos, como o próprio planeta.
Concordo em tudo com Eça, excepto no que respeita "a uma história gloriosa"... Portugal tem uma história gloriosa sim!!!, de que nos devemos sempre lembrar e orgulhar!

terça-feira, 21 de junho de 2011

"Algarve" poema, "Mirante Olhão" desenho de Odete




Minha mãe,Maria Odete Pereira Costa,depois de casada também Oliveira, nasceu em Olhão em 1923.
Dona de muitos talentos, poucos ou nenhuns foram aproveitados e reconhecidos.
Ela tem Alzheimer com demência numa fase bastante avançada, não sabe , na maior parte do tempo, que sou a sua filha, tomando-me pela irmã Stella, recuando aos seus tempos de meninice. No entanto,todos os dias espera por mim, pois sou a única com quem realmente comunica, divertida , medrosa ou chorosa. Eu sei viajar com ela no tempo e assumo o papel de irmã.
Hoje levei-lhe o seu livro onde foi escrevendo os seus poemas, levei-lhe também um dos cadernos de desenhos lindos que foi fazendo ( foi ela a minha mestra!).
Como foi bonito... ouviu-me ler com toda a atenção e aos desenhos foi acariciando mansamente... Não sei se os reconheceu como seus. Mas, que importa? Ela vive de momentos, e foram bons esses momentos!
Senti dificuldade em escolher um desenho e um poema para vos mostrar, decidi-me por estes pela conjugação dos temas.

ALGARVE
Dotada por natureza /
Ó terra do meu encanto, /
Com paisagens de beleza. /
Coberta de lindo manto./

São flores de amendoeira./
Casas branquinhas caiadas. /
Nos quintais uma figueira /
E chaminés rendilhadas./

As tuas praias são banhadas /
Pelo mar que te enriquece./
As areias são douradas /
Por teu sol que as aquece./

Maravilhas em rochedos /
Que de almas enlevadas,
Ficamos sonhando ao vê-los/
Com as moiras encantadas./

Bela no mar e na serra,/
Com suas alegres danças,
Eras assim minha terra/
Com vendavais ou bonanças./

De lindo azul é o teu céu./
Tens pinheiros à beira mar./
De tudo isto que é teu,/
Não sei que mais hei-de amar./

Tudo por Deus te foi dado. /
Belezas tão naturais./
Mas o homem tão malvado, /
Tudo destrói por querer mais./

terça-feira, 14 de junho de 2011

António Variações Estou além

Não consigo dominar esse estado de ansiedade, essa pressa de chegar... Porque eu só estou bem, aonde eu não estou, porque eu só quero ir aonde eu não vou...

Esta insatisfação, não consigo compreender... A vontade de partir para outro lugar...
Vou continuar a procurar a minha forma, o meu lugar...





sexta-feira, 10 de junho de 2011

GAL COSTA - MAE(mpb-lenta)

Bethânia recita e canta "Preconceito" (1973)



Sou contra o preconceito, seja ele racial, religioso, político, social...
Deixemos viver os outros , respeitemos todos , humanos e não humanos...
Vamos tirar a máscara do preconceito!




Tabacaria (Fernando Pessoa)

"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz
O dominó que vesti era errado
Conheceram-me logo por quem não era
E não desmenti, e perdi-me
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara"

ILUSÃO


Albert Einstein disse : "As pessoas como nós, que acreditamos na física, sabem que a distinção entre o passado, o presente e o futuro é apenas uma ilusão teimosa e persistente."
Eu, que sou uma mulher das Letras, ainda não tinha atingido profunda e realmente esta afirmação, como agora durante a doença de Alzheimer e demência de minha mãe.
Na verdade , quando os nossos neurónios falham, quando o cérebro não cumpre na totalidade as suas funções de compartimentar as nossas memórias de forma "arrumadinha", criando em nós a ilusão de diferentes tempos, podemos ver então como tudo se mistura na nossa vivência. A minha mãe vive agora, a maior parte do "seu tempo", na idade da meninice. Ela faz os trejeitos, a voz, o choro, as birras de uma criança. Ela fala com e dos seus pais, irmãos, tias e primas como seja presente. Eu represento a irmã e, é de Stella que me chama há alguns meses, é pela irmã Stella que espera todos os dias que a visite para conversar sobre as "coisas do passado" para mim, presente para ela... Por vezes, rapidamente, vem a "este presente" e fala em filho ou filha, porque para ela essa deve ser uma realidade tão importante que é difícil ignorar ou seja lá o que for...

terça-feira, 7 de junho de 2011

BRAGA PORTUGAL ( BRACARA AUGUSTA )

Braga, a cidade onde nasci













Foi nesta rua que eu nasci um ano depois de meu irmão. Braga, a cidade dos arcebispos, mora no meu coração, apesar de ter estado dela ausente durante a minha vida, menos dois anos.
Sempre me senti angolana, mas marcada nos meus génes está Braga, porque daí é originária toda a minha família do lado paterno.
O meu pai nasceu e viveu paredes meias com a Sé de Braga, aliás era no seu interior que brincava na infância. Foi na Sé que casou, apesar de ateu, ao mesmo tempo que embirrava com o primo direito, o padre que viria a ser o cónego Melo, ilustremente famoso por boas e más razões...







Foi na Sé que Armando de Oliveira Melo baptizou os seus dois filhos, com o apelido de Oliveira (que também deu à mulher), pois quis contrariar a vontade da mãe que exigira ao marido ( Oliveira) que dos seus quatro filhos, dois teriam no fim do nome o seu apelido - Melo!!! Era de força a minha avó Francisca!







Tenho visitado a bela e histórica cidade de Braga, gosto dela, admiro-a, tento recordar alguma coisa da minha infância ali vivida brevemente, mas nada de nada me vem à memória... por isso não a sinto minha, embora a ame...







Em 1971 voltei lá pela primeira vez e o meu pai foi o guia que nos mostrava (a mim e meu irmão Zé) os lugares e as histórias passadas. Vimos onde os armazéns e lojas da família se situavam, donde partiam as mercadorias para Luanda nos idos anos 40. Assistimos a jogos imaginários do Braga no estádio 1º de Maio , onde o meu pai foi jogador e depois árbitro . Encontrámo-nos por acaso com um antigo companheiro e amigo do meu pai, Salgado Zenha, ouvimos as histórias das reuniões clandestinas tantas vezes feitas na casa do meu tio Neca. Subimos ao Sameiro, percorremos o Bom Jesus e vimos Braga por um canudo!!!







Em 2012, assim eu viva, e lá irei honrar a capital da cultura, Braga!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia da Criança





Fui uma criança amada e criada na liberdade de África.
Saída do frio de uma cidade histórica, onde nasci, Braga, adaptei-me facilmente ao calor da terra vermelha de Luanda.
Tinha quase dois anos e não trouxe recordações do Minho.Por isso sempre me achei naturalmente angolana.
Aí estão imagens minhas desses tempos em que subia aos tamarineiros, corria de sandalinhas e minúsculos calções, almoçava no "Vilela" ou no "Belo Horizonte" aos domingos, mergulhava nas águas quentes da ilha , Samba ou Mussulo.
Eu era esta criança aqui retratada, meiga, alegre e de grandes olhos profundos e ingénuos.

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