domingo, 17 de setembro de 2017

Epiléticos descrevem o que sentem

O meu cão Figo teve uma crise violenta, que penso ser epilepsia. Este cão viveu os três primeiros anos da sua vida com um dono alcoólico e três amigos deste também alcoólicos. Foi maltratado com diversos e hediondos "castigos" (palavras do ex-dono),passou fome, foi obrigado a comer picante para depois beber álcool, foi pontapeado na cabeça e no corpo. Não vou entrar em mais detalhes, porque me custa, mas o que interessa é que consegui retirá-lo do dono.
Vive comigo há quase dois anos. Tem sido muito complicado, devido aos ataques de fúria em que já me mordeu ferozmente. Nunca o castiguei, porque isso tinha ele de sobra... Tenho-o amado e com paciência infinita vou-lhe mostrando o certo e errado. Ele adora-me, é muito meigo quando está normal. De repente, para e parece ver coisas no ar... agora, que já reconheço este sinal, afasto-me e nunca mais fui mordida.
Contudo, hoje, algo mais sucedeu. Ele dormia no tapete e eu estava no computador.
O pobre do meu cão ergueu-se e começou com convulsões, a bater em todo o lado, a rebolar-se descontroladamente, a arrastar-se aos trambolhões. Parecia saído do filme "O Exorcista"! Fiquei apavorada! Nunca tinha visto nada assim e já lidei com muitos cães... Ao fim de longos 5 minutos, acalmou debaixo da cama, diminuindo os espasmos musculares  progressivamente. Fui tentar saber mais na net. Aqui está o resultado da minha pesquisa:

"A convulsão em cães é um acontecimento bastante assustador para quem tem um pet em casa e, infelizmente, pode ser descrita como uma complicação relativamente comum no mundo canino. Podendo ser desencadeada por uma série de motivos diferentes, a crise convulsiva em cachorros dificilmente pode ser prevista e, para os proprietários que não conhecem e nunca presenciaram um episódio do problema de perto, pode causar bastante desespero.
Assim como no caso dos seres humanos, a convulsão em cães pode ocorrer em função de o animal ser portador da epilepsia: uma doença crônica e caracterizada por ataques epiléticos involuntários e recorrentes, com ou sem a perda de consciência do animal. No entanto, muitos outros fatores externos – incluindo barulhos muito altos ou choques elétricos – também podem engatilhar uma crise convulsiva nos cachorros, e até mesmo facilitar que o pet desenvolva a epilepsia.

Por gerar uma série de descargas elétricas que deixam o animal descontrolado, apresentando sinais de alteração de conciência e atividades motoras nos casos mais intensos; as convulsões costumam preocupar bastante os donos que assistem o seu pet em meio a uma crise, fazendo com que se sintam impotentes diante da situação. No entanto, durante um episódio desse tipo, pouca coisa pode ser feita para ajudar o animal além de garantir que ele tenha espaço e esteja sobre um lugar macio durante a crise, evitando traumas maiores devido aos movimentos exagerados e fora de controle.

Apesar da aparência terrível, a crise convulsiva em cães pode ter diferentes níveis de intensidade e não causa dor no animal. Entretanto, por poder ser o primeiro sinal de variados outros tipos de problema, é importante que, após um epísódio de convulsão, o cão seja encaminhado para um profissional veterinário, que poderá investigar melhor as causas do ocorrido e indicar (ou não) o tratamento mais adequado."
Este artigo é da autoria de Fábio Toyota e foi publicado no site "Cachorrogato".


Esta matéria foi originalmente publicada na VICE Austrália.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo vivem com epilepsia. Esse é um dos transtornos neurológicos mais comuns do mundo. Pesquisadores ainda não têm certeza do que causa a epilepsia, preferindo rotular o transtorno como uma variedade de doenças diferentes que entram no círculo das convulsões epiléticas.
Algumas pessoas desenvolvem epilepsia como resultado de um trauma craniano, outras apresentam o transtorno desde o nascimento. As convulsões podem ser breves e difíceis de reconhecer, ou podem durar horas. A condição tem alguns aspectos especiais – incluindo algo chamado convulsão focal, uma "aura" que envolve uma sobrecarga sensorial antes de a convulsão se estabelecer.
Essas convulsões focais podem envolver sensações visuais e até psíquicas, algo semelhante ao déjà vu, por exemplo. Apesar de um estudo ter descoberto que 64% dos participantes já tinham experimentada uma aura nos últimos 12 meses, esse é um aspecto da epilepsia pouco discutido. Para entender como é essa experiência, falamos com algumas pessoas que experimentam auras.

Richard tem 52 anos e foi diagnosticado com epilepsia do lobo frontal dois anos atrás

"Minhas convulsões duram apenas de 10 a 20 segundos. Então consigo lidar razoavelmente bem com elas. A experiência real é muito difícil de explicar, mas é uma sensação geral de euforia. Geralmente elas são desencadeadas por uma sensação tipo déjà vu que tenho desde que era garoto. É quase uma queda momentânea numa forma de existência diferente, como cruzar para um mundo paralelo.
Nunca usei drogas. Mas se tivesse que comparar [uma aura] com alguma coisa, acho que seria a mesma sensação de usar heroína. É um tipo bem real de descarga sensitiva e, por mais estranho que pareça, eu gosto. Fico desapontado quando a crise passa."

Alicia tem 31 anos e sofre de epilepsia crônica há 22

"A experiência antes da convulsão pode variar. Algumas são como um flash de sensações e às vezes estrelas brilhando ao meu redor: brancas, amarelas e laranjas. Nas grandes convulsões, geralmente tenho sintomas parecidos com o de uma gripe: me sinto fraca, preciso de ajuda para usar o banheiro, sinto náuseas e tudo tem um cheiro azedo."

Peter tem 36 anos e experimentou sua primeira convulsão aos 14. Ele foi diagnosticado com epilepsia dois anos atrás

"Logo antes de ter uma convulsão parece que tem um ser elétrico tentando tomar meu corpo pelos ombros. Lembro que uma vez depois de uma convulsão, me disseram que eu estava andando sem rumo por 20 segundos. Também sinto um gosto como se tivesse lambido uma bateria de nove volts. Sinto cheiro de ozônio. É uma experiência muito elétrica. A pior parte é que não lembro desses eventos depois da crise."



Eu adoro o meu cão Figo, salvei-o de um dono cruel, mas agora descobri que trouxe muitos problemas físicos e emocionais. Um deles talvez seja a epilepsia... 

















segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Mãe

Partiste há quatro anos e deixaste-me só.
Fomos as maiores amigas, as melhores companheiras, fomos mãe e filha também, com aquelas "coisitas" próprias da  tua autoridade materna e da minha rebeldia de filha. Atravessámos seis décadas sempre unidas, enfrentando o pior quando era preciso e gozando os momentos de alegria. Juntas éramos fortes. Tu ensinaste-me a ser forte... é o que tento ser ainda hoje, que já não te tenho fisicamente... Tenho-te em espírito.
Se houver algum lugar onde as almas se juntam, estaremos juntas outra vez, para rirmos e chorarmos.
Alguém disse, que a memória é um espelho, onde olhamos os ausentes... estou sempre a ver-te ...amei-te e amo-te incondicionalmente, mãe.



Maria Odete Pereira Costa de Oliveira
28-07-1923           28-08-2013

Eras a mulher mais linda que conheci. Serás sempre.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Viana sem Castelo

Viana do Castelo é uma cidade linda, com o seu importante porto, os seus monumentos, dos quais sobressai a catedral no monte de Santa Luzia. Junto a Galiza, Viana do Castelo é uma cidade internacional, inundada de turistas. Mas, quantos dos seus visitantes fazem a pergunta que irrita os habitantes locais : " Onde fica o Castelo?" Os que já conhecem a resposta não podem evitar um sorriso malandro, esperando a resposta seca: " Não há cá castelo nenhum!"

 De facto, não existe, nem nunca existiu um castelo em Viana do Castelo. Talvez para dar uma explicação graciosa, surgiu uma lenda, de origem desconhecida, que conta assim a origem do nome da cidade:

"Um cavaleiro  apaixonou-se por uma bela princesa. Rondava o castelo da sua amada, vezes sem conta, na esperança de a ver. Um dia, na varanda mais alta do castelo, viu a princesa, Ana de seu nome, que lhe acenava.
Louco de alegria, o cavaleiro não se conteve e então gritava:
"Vi Ana do Castelo! Vi Ana do Castelo!"

Não acredita? Busque então a história de Viana e não encontrará vestígio de qualquer castelo... esta explicação vale o que uma lenda vale, num país rico de lendas e mitos , que se estendem até ao Algarve, com as suas mouras encantadas!

Um pouco da sua história

A povoação de Viana recebera Carta de Foral de Afonso III  em 18 de julho de 1258, tendo passado a chamar-se Viana da Foz do Lima. Devido à prosperidade desde então adquirida, Viana tornou-se um importante entreposto comercial, vindo a ser edificada uma torre defensiva (a Torre da Roqueta) com a função de repelir piratas oriundos da Galiza e do Norte de África, os quais procuravam por este porto.


              O espírito comercial de Viana alcançou tais proporções que a rainha Maria II de Portugal

concedera alvará à extinta Associação Comercial de Viana do Castelo em 1852. A mesma soberana -

para recompensar a lealdade da população de Viana, que não se rendera às forças do conde das Antas

(1847 - decidira elevar a vila à categoria de cidade com o nome de Viana do Castelo (20 de janeiro de 1848). No século XX, tornou-se num dos principais portos portugueses da pesca do bacalhau .






,Eu sou uma minhota, de Braga, mas que foi levada para Angola Luanda.
Adorei Viana do Castelo , estive no Templo , lá em cima em Santa Luzia, mirando a bela cidade dos meus antepassados.... aliás, como curiosidade: - a minha foto de perfil neste blog,foi tirada em Viana, na idade em que iniciei a minha "viagem" de professorinha. Pelas fotos com que vou assinando cada mensagem, comprova-se que o meu tipo é mesmo de minhota loira ... Esta fotografia é da actualidade, uma professorinha já madura 😃

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Fibromialgia





Foi no seu blog no site americano que ela publicou uma lista com 25 coisas que ela gostaria que todas as pessoas que não tem fibromialgia soubessem sobre quem tem a síndrome. Como ela mesma explica, a ideia desta lista é tentar conscientizar as pessoas sobre aquilo que elas nem imaginam que pode acontecer no corpo e na vida de alguém com fibro. Por isso, antes da lista, Puja propõe uma ambientação, para entender melhor o que é a fibromialgia:
Imagine que seu corpo está em chamas. Imagine que a cada passo, você sente como se o chão sob seus pés estivesse cheio de pecinhas de Lego. LEGO, pessoal! Imagine que somente o ato de sair do carro e caminhar até a sua mesa de trabalho cause uma exaustão tão grande que você seria capaz de dormir o dia inteiro. Parece terrível, não é? Agora adicione a isso o fato de que não há como provar que tudo isso que você está sentindo é real. A cada exame que você faz, você recebe um negativo (e você já fez centenas de exames). Imagine que enquanto você tenta se convencer a seguir em frente, em meio à fadiga, à dor crônica e à hipersensibilidade, você escuta gente dizendo como eles estão ‘cansados da sua fibro’ e do quanto você reclama das dores. Agora imagine escutar que todo o seu sofrimento é coisa da sua cabeça”.
Feita essa introdução à vida de alguém com fibromialgia, vamos à lista de Puja!
  1. Dê-me abraços suaves, por favor – minha pele é sensível.
  2. Posso dormir um dia inteiro e continuar sentindo como se tivesse corrido uma maratona.
  3. Quando estou cansada, deixe-me dormir.
  4. Se eu cancelar algo que tínhamos marcado, não fique aborrecida (o) – é porque eu realmente não me sentia bem.
  5. Se eu saí na última noite, preciso do dia de hoje para me recuperar – está tudo bem, a saída valeu a pena.
  6. Quando estou sentindo meu corpo ardendo em chamas, deixe-me sozinha em um quarto escuro (mas dê uma olhadinha para ver como estou). Isso me ajuda a me sentir melhor.
  7. Todas as manhãs são manhãs difíceis.
  8. Falar sobre o seu amigo com fibromialgia que não sente dor nenhuma não me faz sentir melhor.
  9. “Você tem que se exercitar”. Minha rotina é o meu exercício.
  10. Algumas comidas me dão sensação de queimação. Exemplos são pimentas, açúcar e café.
  11. Sim, dieta é importante, mas durante a crise, é tarde demais.
  12. Por causa da fibro, eu comecei a ficar mais tempo com o meu marido.
  13. Luzes fortes, barulho e excesso de cheiros sobrecarregam meus sentidos e me fazem sentir náusea.
  14. Meus dias, semanas e meses são cuidadosamente planejados para acomodar a fibromialgia.
  15. Sim, minha cara está inchada. Não, eu não engordei dois quilos durante a noite.
  16. Tenho três tamanhos diferentes de roupa no meu armário para ter o que vestir tanto nos dias em que estou tendo uma das crises da fibro, quanto naqueles dias em que estou ok.
  17. Eu brinco de esconde-esconde com os quatro elementos – muito frio, muita chuva, muito calor, muito sol (Eu me escondo de todos!)
  18. Para você, passeios de carro podem ser um regojizo. Para mim, são uma dolorosa aventura por uma estrada tortuosa.
  19. Ir ao médico me enlouquece – para mim isso é uma lembrança do problema que eu tenho.
  20. Alguns dias, deixo a fibro ganhar. Isso me faz recordar que estamos em uma maratona, não em uma corrida de 100 metros.
  21. Às vezes posso estar mal-humorada, você também se sentiria assim se tivesse dor a todo momento. Por favor, seja paciente comigo.
  22. Quando você cruza a porta, eu já sei como você está de humor, porque meus super-sentidos fibromiálgicos estão sempre atentos.
  23. Não existem dias sem dor, mas existem dias com pouca dor e eles são os meus dias felizes.
  24. Por causa da fibro e da obrigação de baixar o ritmo, eu tive a oportunidade de começar a escrever sobre a síndrome e sou grata por essa oportunidade.
  25. Por causa da fibro, eu me tornei parte de uma comunidade ao mesmo tempo forte e acolhedora, que me lembra sempre que eu não estou sozinha.









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