terça-feira, 31 de maio de 2011

Reflexão pré-eleitoral

Chegou o momento de eu fazer a minha reflexão eleitoral.Dia 5 de Junho aproxima-se. Votar ou não votar? Eis a minha questão. Creio que também é a de muitos milhares de portugueses. Afinal todos sabemos que a governação já está encomendada - a troika decidiu, está decidido.
Passa-me pela cabeça a luta de tantas mulheres, num passado não muito longínquo, pelo seu direito ao voto. Eram presas e humilhadas ao exigirem esse direito cívico dado pela democracia.Democracia que pertencia só aos homens. Mas as mulheres venceram e ganharam o direito de ter voz nos destinos do seu país.
É claro que existem muitos outros argumentos importantes para que a minha decisão seja a de ir votar no dia 5 de Junho. Mas, quanto mais não seja, em memória das corajosas sufragistas decido que sim, vou votar!
Agora... em que partido ou força política?
Qual poderá fazer a diferença em relação ao que já está escrito nos acordos com a troika?
Ainda valem as ideologias?
Sempre votei à esquerda, mas a esquerda comete erros atrás de erros.E a direita defende os interesses de quem tem de defender, dos grandes empresários, dos banqueiros.
Passo em revista relâmpago a campanha eleitoral dos últimos dias.
Gosto sinceramente do Jerónimo. Homem simpático e verdadeiro, defensor de causas justas. No entanto, que hipóteses tem? O PCP não soube modernizar-se, continua a falar para uma classe operária que praticamente já não existe. Os funcionários, os empregados de balcão, os contabilistas, os informáticos, os caixas de hipermercado não se revêm nessa classe, objecto principal dos comunistas.
O Louçã e o seu BE será que convencem? Louçã não tem carisma como Jerónimo, e embora mais moderno detém-se em minorias demasiadas vezes.
Virando à direita temos o Portas . Reconheçamos que o CDS tem feito um bom trabalho e não me admiraria que subisse bastante. Ideologicamente coloca-se à esquerda do PSD ao defender os pequenos e médios agricultores e empresários, ao demonstrar preocupações sociais.
Para mim, está aí o busílis da questão - a defesa do Estado social.Esse foi o grande erro cometido pelo PSD. Passos Coelho é ainda inexperiente, como poderá dar conta de um país afundado em dívidas, como saberá lidar com os tubarões dos mercados e ao mesmo tempo manter a paz social entre os portugueses?
Resta-nos o homem de quem mais se tem falado - Sócrates, o ilusionista ou Sócrates, o salvador da pátria? Tem a seu favor a defesa do Estado Social, com a manutenção da escola e saúde públicas, evidencia alguma resistência às privatizações a torto e a direito, tem uma habilidade política inquestionável e sabe muito bem lidar com os tubarões. Mas, tem errado muito na sua governação, a ponto de os próprios camaradas de partido o reprovarem.
Que fazer? Perdoar os erros, acreditar que se aprende com os erros ( assim ensino os meus alunos), ou dizer basta.
É isso que tenho de decidir até dia 5 de Junho. Se decidir zero, irei votar na mesma... zero!

Brigitte Bardot - Maria Ninguém

Fotografia - Brincar com o Sol




domingo, 29 de maio de 2011

O fascínio da nudez e a morte


Está em palco, na Casa Conveniente, no Cais do Sodré em Lisboa, uma peça , no mínimo, interessante. Chama-se "O Passeio das Raparigas" esta encenação de Mónica Calle, cujo texto é do autor Heiner Müller intitulado "Anúncio de Morte".
Trata-se de um monólogo desempenhado pela actriz Rute Cardoso.É precisamente na interpretação da actriz, que reside a maior curiosidade da peça.
Nua em pleno palco, apoiada pela música , as luzes e adereços, a actriz tem de ultrapassar a fragilidade da sua exposição e dar força às palavras e aos gestos.
O tema é a morte e faria toda a diferença se fosse interpretado por uma actriz vestida.
A nudez ainda exerce um enorme fascínio sobre o homem moderno, apesar deste ser exaustivamente exposto a imagens de nus.
A verdade é que o espectador não consegue tirar os olhos da figura de mulher nua, é essa nudez que estimula a nossa imaginação e nos faz viajar através da evocação de fantasmas e memórias.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Tareco, o gato de Luanda


Esta é a história mais antiga de que me lembro, passada com um animal. Corria o ano de 1959 em Luanda.
Tínhamos um gato tigrado, o Tareco, que eu adorava.
Amava-o tanto que a toda a hora o queria pegar ao colo, enfeitava-o com laçarotes e perfumava-o. Condescendente a todas as minhas brincadeiras se submetia. Os meus pais tinham uma loja de vestuário e ele andava por ali livremente, saía e entrava quando queria.
Até que o seu comportamento começou a mudar, tornou-se esquivo, já não gostava das minhas brincadeiras, começou inclusivamente a fazer as necessidades fisiológicas nos sítios mais escondidos da loja, estragando muitas peças de roupa. A minha mãe repreendia-o, mas nada resultava... enervada com a situação deu ordem ao nosso criadito negro que o afocinhasse nos cocós e lhe desse umas palmaditas.
Ora, o criadito que não gostava de gatos, batia-lhe com força com a cabeça no chão. Ao ouvir as miadelas lamentosas a minha mãe acorria e ralhava ao mocito, dizendo que não era para lhe fazer mal, mas só para o ensinar.
É crença dos negros que os gatos dão azar,que são feiticeiros, daí que muitas maldades e até barbaridades lhes fazem. O que estava a acontecer, que nós não percebemos na altura, é que o Tareco era perseguido pelos inúmeros trabalhadores que se juntavam no enorme quintal das traseiras do prédio. Essa era a razão porque se escondia na loja e lá fazia os cocós.Só que nós não tinhamos ligado as coisas.
Um dia, quente e de sol forte como quase todos, brincava eu sozinha no terreiro do quintal. Subitamente alegrei-me! Apareceu o meu Tareco, que já pouco se dava a ver. Chamei-o, olhou-me e virou-me as costas. Insisti e fui atrás dele toda contente,chamando-o. Ele apressou o passo e eu corri para o apanhar.
Parou, virou-se e fixou-me.
Eu era tão pequenina, mas entendio olhar!
Senti o perigo e voltei-me desatando a fugir.
Ele deu um salto pelas minhas costas, tropecei, caí com ele em cima de mim. Apavorada gritei, ele mais do que arranhar mordia-me toda!
Para minha sorte, o meu pai ouviu os gritos e salvou-me, mas fiquei muito ferida. Até hoje tenho cicatrizes deixadas pelos dentes dele.
Um dia, os trabalhadores negros cortaram-lhe o rabo com uma catana, eu chorei como uma Madalena, mais tarde cegaram-no e eu fiquei destroçada.
A verdade é que eu continuava a amar o meu Tareco e entendi porque ele se tinha tornado "mau", selvagem. Tinham sido os homens os culpados, não ele.
Chorei muito pelo Tareco, tinha apenas cinco aninhos e o meu coração fez-me perceber que ele era uma vítima da maldade dos homens, nunca o culpei.
Continuei sempre a amar os gatos.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Os meus amores - introdução













Desde que me lembro de mim, o meu coração enternece-se pelos animais, alegra-se quando os vê felizes e sofre desesperadamente quando os vê sofrer. Essa sensibilidade nasceu comigo, é genética, herdei-a da minha mãe.








Tenho centenas de histórias passadas com animais, principalmente cães, e vou partilhar algumas convosco, umas tristes e outras divertidas, mas todas bem interessantes.


A história mais antiga que recordo, passada em Luanda, tinha eu quatro ou cinco anos e aconteceu com um gato, o Tareco. Ia acabando em tragédia para mim, mas ...amanhã conto.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Em louvor das mulheres maduras"



Qual a mulher que faz tudo ao seu alcance para se manter jovem? Claro que sabem a resposta : TODAS!



No entanto, qual a mulher que troca a sabedoria, a tranquilidade da sua idade madura pela de uma jovem? Acreditem homens: POUCAS!



Tocando este tema, o escritor húngaro Stephen Vizinczen escreveu um interessante livro " Em louvor das mulheres maduras". Reputado de clássico erótico moderno foi um sucesso mundial e muito aplaudido pela crítica e outros escritores, entre os quais o consagrado Graham Greene.



Inicia o seu romance dirigindo-se aos homens jovens, com uma citação de Benjamin Franklin:



«Em todos os vossos amores deveis preferir as mulheres mais velhas às mais jovens...porque conhecem melhor o mundo.»



Leiam e divirtam-se, que vale a pena embrenharmo-nos pelas aventuras amorosas eróticas de András Vajda, professor e filósofo no Michigan. Ele que é europeu, estranha o comportamento americano e afirma : -" A cultura moderna - a cultura americana - glorifica a juventude; no continente perdido da velha Europa, era a aventura de um jovem com uma amante mais velha que tinha o brilho da perfeição. Hoje os jovens preferem raparigas da idade deles, convencidos de que só elas têm alguma coisa para lhes oferecer. Nós dávamos valor à continuidade e à tradição e procurávamos enriquecer-nos com a sabedoria e a sensibilidade do passado."

Elis Regina - Se eu quiser falar com Deus

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os professores nunca têm razão! pois é...lixado ser professor!


















A professorinha em funções,numa actividade extra-curricular
da disciplina de Inglês

Foto da professorinha na escola

Autor desconhecido,

mas com um bom sentido da ironia...













sábado, 7 de maio de 2011

Maria BB













Uma brincadeira de fim de semana para os meus amigos que de há muito, muito tempo, desde Luanda, me chamavam BB e aos novos amigos que também me chamam carinhosamente Maria BB, aqui vão as minhas poses ao estilo Bardot!







São também uma homenagem a essa actriz ícone que soube envelhecer naturalmente, partilhando a sua vida com os animais que sofrem. Bem haja Brigitte Bardot!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estado. Que Estado?




Nunca como hoje se falou tanto em Estado. Nunca como hoje se confundiu tanto o conceito de Estado com o de Nação, País ou Governo.




Olhemos rapidamente para a História: O que vemos? - Nem sempre existiu o Estado.


Dali's skullof nudes, 1950
(caveira de nus, obra de Salvador Dali)


O que havia então nas antigas sociedades? Que autoridade?




Nessa altura os costumes eram essenciais para estabelecer o poder, o respeito. Nas sociedades patriarcais a autoridade era naturalmente dos velhos do clã e, até por vezes, esse poder era conferido às mulheres, nas sociedades matriarcais.




Quando surge então o Estado? - Ele apareceu quando e no momento em que se dá a divisão da sociedade em classes, quando surgem exploradores e explorados.




A primeira forma de exploração do homem pelo homem é o tempo de escravos e proprietários de escravos. É aí, nesse momento que surge a necessidade de um "aparelho" especial, capaz de obrigar os homens a se submeterem ao poder dos "Senhores". Um aparelho que usasse metodicamente a força e a violência. A esse aparelho chamou-se Estado.




Assim se criou uma categoria especial de homens para governar os outros e manobrar sistematicamente (para fins de governo) esse aparelho de coacção, esse aparelho de violência, constituído por destacamentos armados, prisões e outros meios de coagir pelo medo a vontade dos cidadãos. Isso constitui a própria essência do Estado.




Se se fizer abstracção das doutrinas religiosas, dos subterfúgios científicos e políticos, das filosofias dos intelectuais burgueses, e se se for ao fundo das coisas, ver-se-á que o Estado se resume precisamente a esse aparelho de governo que se separou da sociedade.




E só se considerarmos estes factos genericamente, se nos interrogarmos porque é que o Estado não existia quando não existiam classes, quando não existiam exploradores nem explorados, e porque é que o Estado apareceu simultâneamente com o aparecimento das classes, é que encontramos uma resposta clara a esta pergunta: QUAL A NATUREZA DO ESTADO E QUAL É O SEU PAPEL?




Eis a resposta:




O Estado é uma máquina destinada a manter a dominação de uma classe sobre outra.




O Estado, num país democrático, embora dominado pelo capital das grandes empresas e bancos, deveria ser - mas não é - a expressão da vontade popular, do interesse comum.




Pelo contrário, o Estado é uma máquina manejada pelos "grandes mercados" de capitais de forma a manterem o seu Poder.




Não tenhamos ilusões, logo que existe, o capital reina sobre toda a sociedade. Nenhuma constituição democrática, nenhuma lei eleitoral, muda qualquer coisa. As desigualdades vão-se acentuando, a exploração impiedosa ( em nome de estratégias económicas globais, de "deficits" arquitectados) vai continuar, o desemprego irá sempre aumentando, a discriminação nas remunerações salariais dos trabalhadores serão maiores. Enfim, parte da sociedade viverá cada vez mais em condições humilhantes com perda de direitos sociais.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Maldita Rotina que me mata


Sobre a rotina...
tradução:
Sobre a Rotina...
Como é possível que o Homem, o ser mais inteligente do Universo, aceite viver milhares de dias da sua existência de forma sempre igual?!
Levantar-se, lavar-se, comer, sair para o trabalho, almoçar às mesmas horas, no mesmo sítio, voltar ao mesmo trabalho, falar o mesmo com as mesmas pessoas, regressar à mesma casa no mesmo transporte, ler o mesmo jornal, ver todas as noites o mesmo programa da desinteressante televisão, deitar com a mesma pessoa que provavelmente ressona todas as noites... ou faz o mesmo sexo do dever conjugal, marcado no calendário...
E, no dia seguinte volta a levantar-se da mesma cama, com o sentimento horrível de «Ser a mesma merda todos os dias».
O pequeno-almoço é igual, o café é tomado apressado ao mesmo balcão da mesma pastelaria do bairro, frequentado sempre pelas mesmas pessoas.
Segue como um cordeiro no "Silêncio dos Inocentes" para as filas intermináveis de trânsito, até chegar ao tormento daquele trabalho/emprego automatizado em que parecemos robots ou papagaios repetitivos. Passam as horas e lá voltamos novamente para as filas que duram horas até chegar a casa. No caminho vamos ouvindo a mesmíssima música diária com o frustrado locutor a tentar inventar comentários novos, em vão...
A casa está ali, chegamos sem ponta de entusiasmo, subimos cansados ao apartamento igual ao de todos os vizinhos, de tal modo que se nos enganarmos no andar e conseguirmos entrar, tardiamente daremos pelo engano. As pessoas, como as casas usam o mesmo "décor", eles e elas de calças de ganga, camisola, óculos para a vista cansada... elas, mais produzidas, seguem todas o modelo das madeixas amarelas no cabelo ou o ruivo que também está na moda.
Liga-se inevitavelmente a televisão e sentados à frente do desfile de horrores que passam no telejornal, a família mastiga-os juntamente com a "fast food" do jantar, sempre com os olhos fixos na luz branca que irradia do écran e os hipnotiza.
Faz-se o serão familiar ali, no mesmo sofá de napa, agora esparramados a ver a telenovela da TVI ou o futebol da SIC ou RTP. Os elementos da família também dialogam, claro que sem se olharem uns aos outros, os olhos seguem a luz impiedosa, falam e comentam as cenas que vêm do écran, gritam , insultam mesmo uma figura qualquer... dão largas ao seu natural instinto de comunicação, mas por interposto sujeito/objecto - a TV, igual todos os dias, milhares de dias de uma vida sempre igual.
A vida é absurda.
Camus foi o escritor e filósofo que melhor analisou o ABSURDO da rotina.
Concluindo - quando o Homem toma consciência desse absurdo, dessa vida sem sentido, revolta-se.
A REVOLTA nasce da consciencialização do ABSURDO na vida do Homem.
Milucha

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