quarta-feira, 2 de março de 2011

VIVER COM FIBROMIALGIA

Todos os dias luto para me levantar... mas hoje demorei três horas para o conseguir. A minha cadela Nuska é o meu despertador, a minha alavanca, o meu motor de arranque. Tudo isto em sentido real : é ela que por volta das oito horas me acorda com um suave ganido. Se estiver difícil, ela já aprendeu o que fazer, deita o seu corpo enorme quase em cima da minha almofada e inicia a "conversa", uma série de sons que lhe ensinei e dialogamos. Se eu não respondo, ela aumenta o som, observa-me nos olhos, lambe-me as mãos. Aí, normalmente começo a mover-me, deslizo e massajo as mãos pelo longo e macio pêlo dela. Até que me consigo erguer e sou saudada por um salto alegre e umas lambidelas nos pés. Depois o ritual é sempre o mesmo, Nuska deita-se observando-me na higiene matinal e no vestir, se me esqueço ela recorda-me que preciso de comer algo, leva-me ao sítio das bolachas ou rebuçados, devido à fraqueza preciso muito de açúcar matinal... e lá vamos para a rua, devagarinho.

Hoje, no entanto, foi um dos dias muito complicados.
A Nuska chamou e tentei levantar-me, logo tudo rodopiou e ficou escuro, caí como um saco de batatas desmaiada, felizmente ainda na cama.
Fui acordando, ouvia o relógio da igreja tocar as horas, contei nove..., mas continuava sem conseguir mexer um músculo, sem articular um som.
A minha mãe tem oitenta e sete anos, mas ainda poderia ajudar-me se a Nuska a fosse chamar como costuma, mas não. Hoje a minha pobre cadela ficou tão assustada de me ver cair, que se deitou ao meu lado e não mais saíu. A minha mãe não deu por nada. Não dei pelo passar do tempo, devia adormecer volta e meia, sei que ia ouvindo as badaladas da torre da igreja e pensava "tenho de conseguir levantar-me, a minha menina tem de ir fazer xixi, deve estar aflita".
A Nuska não mais chorou, não me chamava, apenas esperava... porque ela sabe melhor que qualquer médico o que padeço, que recupero com o repouso profundo.
Às doze badaladas consegui estender as mãos, acariciar o seu pêlo, auto-massajar-me e erguer-me. Obrigada, Nuska, meu amor.

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